terça-feira, 13 de novembro de 2012

Tabagismo: da substância ao tratamento

O TABAGISMO

Caracteriza-se pelo consumo de tabaco e pela consequente dependência física da nicotina, substância essa considerada a principal responsável por causar a adição ao tabaco, além de ser altamente carcinogênica. Critérios Diagnósticos: Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV).

O Teste de Fagerstrom
Ferramenta utilizada para avaliar o grau de dependência ao tabaco.

 

Aspectos Clínicos relacionados ao Tabagismo

O hábito de fumar promove redução da função respiratória e da frequência cardíaca;

Sinais e Sintomas Tristeza, apatia, insônia ou hipersonia (excesso de sono), irritabilidade, ansiedade, frustração, raiva, cefaleia, aumento da tosse*, dificuldade para se concentrar, dentre outros;

Fissura para consumir novamente.

*A tosse é justificada, dentre outros fatores, pela destruição das células ciliadas da traqueia. Tais células são as responsáveis por filtrar e reter as impurezas que aspiramos através do trato respiratório.

 
O TABACO 
Extraído das folhas de plantas do gênero Nicotiana
Composto formado por várias substâncias, sendo que a maioria delas é nociva ao organismo. A fumaça do cigarro contém mais de 4 000 substâncias. Seus constituintes principais são:

 

Nicotina Um alcaloide que age sobre os receptores nicotínicos de acetilcolina. Após inalada, a nicotina é rapidamente absorvida pela mucosa pulmonar e em seguida atinge o Sistema Nervoso Central. Possui meia-vida de 2 horas. Tanto ela quanto seus metabólitos são eliminados na urina.


Metais Pesados Chumbo (Pb), Níquel (Ni), Cádmio (Cd), outros.


Compostos Orgânicos Aminas, Aldeídos, Cetonas, Hidrocarbonetos, por exemplo.

Alcatrão Composto por várias substâncias, dentre elas: Nitrogênio (N), Oxigênio (O), Hidrogênio (H), Monóxido (CO), Dióxido de Carbono (CO2) e muitas outras. O alcatrão contém elementos potencialmente carcinogênicos.

TABAGISMO PASSIVO 
Se relaciona principalmente com o tempo de exposição à fumaça. Pode desencadear processos alérgicos (hipersensibilidade), patologias respiratórias e outros malefícios a quem inala a fumaça do cigarro.
TABAGISMO NA GRAVIDEZ 
Responsável por interferir no desenvolvimento fetal. Hábitos tabagísticos durante a gestação podem acarretar em malformações estruturais (redução do tamanho e do peso, teratogenia) e neurológicas no feto e futuramente, cognitivas, comportamentais e intelectuais na criança. A mãe e o bebê podem sofrer com o parto prematuro.



A nicotina pode estar presente na constituição do leite materno da lactante a 0,5 mg/L.
O TRATAMENTO

Cessação dos hábitos tabágicos de forma abrupta (mais recomendada) ou gradual, combinada com as terapias abaixo:

Farmacológico Nicotínico ou Tratamento de Reposição Nicotínica, o TRN
É realizado com reposição de nicotina através do adesivo transdérmico (doses de 21, 14 e 7 mg, de acordo com o esquema terapêutico adotado), da pastilha e da goma (doses de 2 ou 4 mg).

Farmacológico Não Nicotínico
Uso de medicações como bupropiona, clonidina e nortriptilina.

Terapia Grupal Por meio de técnicas de grupo, que são empregadas em sessões mensais ao longo de um ano. É realizada de acordo com o Consenso do INCA. Ver mais nos links úteis.


BENEFÍCIOS AO PARAR DE FUMAR
Fonte: http://cienciaeceticismo.blogspot.com.br

Ciêntistas e seus feitos


1.Nikola Tesla- Se não fosse por ele, possivelmente você não estaria lendo este texto agora na tela do computador e, ainda mais, nenhum equipamento eletroeletrônico existiria.Entre suas contribuições para o avanço do mundo moderno estão o desenvolvimento do rádio, demonstrando a transmissão sem fios em 1894, robótica, controle remoto, radar, ciência computacional, balística, física nuclear e física teórica.
2.Michael Faraday-
Michael Faraday foi um físico e químico inglês que teve grandes contribuições no campo da Eletroquímica. Ele foi responsável pela criação dos termos: cátion, ânion, eletrodo, eletrolítico, entre outros.
Faraday foi intitulado como um experimentalista, título merecido em virtude de ter realizado incontáveis experimentos envolvendo as leis que regem a eletrólise.
3.Clerk Maxwell- Estabeleceu a relação entre eletricidade, magnetismo e luz. Suas equações foram a chave para a construção do primeiro transmissor e receptor de rádio, para compreensão do radar e das microondas.Maxwell realizou trabalho importante sobre os anéis de Saturno, que o analisara matematicamente, assim como sobre os gases. Desenvolveu a teoria da indução eletromagnética e a produção de eletricidade a partir do magnetismo.
4.Marie e Pierre Curie-Ela ganhou o prêmio Nobel em 1903, inclusive foi a primeira mulher a conseguir esta façanha. Esse mérito foi em virtude de seus estudos sobre radioatividade, em 1911 recebeu outro prêmio pela descoberta dos elementos Polônio e Rádio.O elemento de número atômico 96 da tabela periódica, de símbolo Cm, foi nomeado de Curio em homenagem a Marie e Pierre Curie. Essa brilhante cientista deixou uma frase: “Nada na vida é para ser temido. É tudo para ser somente entendido”.
5.Isaac Newton- Isaac Newton foi um personagem muito importante na história da ciência, principalmente nas áreas da física e da matemática.Além de física e matemática, ele estudou filosofia, astronomia, alquimia, teologia, astrologia entre outras ciências. Ele, juntamente com vários outros cientistas e pensadores da época, acreditavam que o estudo dessas ciências possibilitaria a compreensão e estudo dos fenômenos naturais.
6.Albert Einstein-No fim do século XIX e início do século XX houve uma reviravolta nesses estudos provocada pelos trabalhos realizados por Einstein (Teoria da Relatividade), que fez surgir a Física Moderna.A Teoria da Relatividade é um dos melhores exemplos do sucesso da física para estudar o que ocorre na natureza. Foi proposta por Albert Einstein no ano de 1905, inicialmente foi rejeitada pelos cientistas, pois não tinham ou eram poucas as evidências para comprová-la.
7.James Watson e Francis Crick-Uma estrutura de ferro e madeira, imitando uma hélice dupla, foi a forma que os biólogos James Watson e Francis Crick encontraram para demonstrar como é a forma da molécula de DNA. No dia 25 de abril de 1953, eles publicaram na revista científica Nature o artigo histórico em que descreviam a estrutura. A descrição é considerada um dos grandes marcos da biologia no século 20 e certamente contribuiu para a o desenvolvimento de uma nova área de pesquisa que então nascia, a biologia molecular.
8. Niels Bohr-O dinamarquês especialista em física atômica Niels Bohr, nasceu em 1885, e faleceu em 1962. No ano de 1913, estabeleceu o modelo atômico sistema planetário que é usado até os dias atuais.
Bohr chegou a esse modelo de átomo refletindo sobre o dilema do átomo estável. Ele acreditava na existência de princípios físicos que descrevessem os elétrons existentes nos átomos. Esses princípios ainda eram desconhecidos e graças a esse físico passaram a ser usados.
9.Thomas Edison-No ano de 1877, o inventor norte-americano Thomas Edison desenvolve o primeiro aparelho prático de gravação sonora, onde o som era registrado por meio de uma agulha que riscava um cilindro de cera. Nesse sistema, os sulcos feitos pela agulha, quando novamente percorridos, revelavam a gravação feita. Tal agulha era ainda ligada a um diafragma que tinha como função amplificar o som gravado, indo este escoar através de uma corneta, que o ampliava ainda mais, fazendo-o audível.

Fontes: Brasil Escola: http://www.brasilescola.com
            Info Escola: http://www.infoescola.com
             E-Biografias: http://www.e-biografias.net


A Maça de Newton

Você sabe que Newton descobriu a gravidade até aí tudo bem, mas a história da maça ter caído na sua cabeça é tachado por muitos como lenda. Pois  a verdade é que a maça caiu sim na cabeça de Newton e daí que começou  o seu questionamento de porque os corpos caem em direção ao centro da terra e ao que mais tarde ele chegou a conclusão que as coisas cai porque são atridos por uma força que vinha do centro da terra ao deu nome de gravidade (ou força da gravidade). A confirmação da maça de Newton veio com os manuscrito publicada pela Royal Society (Sociedade Real) uma das maiores sociedades científicas do mundo. Até o momento antes da publicação os manuscrito era consultados apenas por acadêmicos. Veja parte do texto em inglês e logo abaixo traduzido para o português.

Trecho original do manuscrito em inglês

Memoirs of Sir Isaac Newton’s life, William Stukeley, 1752

The antiquary and scientist William Stukeley (1687-1765) made well-known and extensive field studies of Stonehenge and Avebury. He lived in London for a decade, from 1717, befriending Sir Isaac Newton and becoming a Fellow of the Royal Society, before returning to Lincolnshire.

Stukeley practised medicine in Grantham from 1726 and gathered local recollections of a more youthful Newton. These stories, with Stukeley’s own recollections, were committed to paper in 1752 as ‘Memoirs of Sir Isaac Newton’s life’. Stukeley gives us glimpses of the great scientist at the beginning and end of his life. By his own admission, the tales he recorded “may be accounted trivial”, but Stukeley trusted in their importance as source material for future biographers “as now most of those that personally knew him [Newton], are gone…”

Trecho da maça em inglês

The fall of an apple

“After dinner, the weather being warm…” The fall of an apple begins a train of thought that ended with the publication of 'Principia Mathematica' in 1687. 

   Trecho original do manuscrito do Sr. Isaac NeWton



Trecho traduzido para o português

Memórias da vida de Sir Isaac Newton, por  William Stukeley 1752


O antiquário e cientista William Stukeley (1687-1765) fez bem conhecida e extensos estudos de campo de Stonehenge e Avebury. Ele viveu em Londres durante uma década, a partir de 1717, ficando amigo de Sir Isaac Newton e se tornar um membro da Royal Society, antes de retornar a Lincolnshire.

Stukeley praticado medicina em Grantham de 1726 e reuniu lembranças locais de Newton mais jovem. Essas histórias, com as próprias lembranças Stukeley, estavam empenhados em papel em 1752 como "Memórias de vida de Sir Isaac Newton". Stukeley nos dá vislumbres do grande cientista, no início e no final de sua vida. Por sua própria admissão, os contos, ele gravou "podem ser contabilizadas trivial", mas Stukeley confiado em sua importância como fonte de material para futuros biógrafos ", como agora a maioria daqueles que o conheceram pessoalmente [Newton], já se foram ..."

A queda de uma maçã

"Depois do jantar, o clima é quente ..." A queda de uma maçã começa uma linha de pensamento, que terminou com a publicação de "Principia Mathematica" em 1687.

A língua de Einstein

No dia 14 de Março de 1951 Albert Einstein completava 72 anos, mas o que ele não sabia era que naquele dia uma fotografia seria eternizada, e que tal imagem seria popularizada pelo mundo inteiro.
Neste dia, a festa de aniversário já havia chegado ao fim. Einstein encontrava-se sentado no banco traseiro do carro (pertencente ao chefe do Instituto para Estudos Avançados de Princeton, EUA), estando entre Frank Aydellote e sua esposa Marie. Tecnicamente “encurralado” por fotógrafos e jornalistas, a perguntarem acerca de sua opinião sobre a situação política, pôs-lhe sua língua de fora. Isso após várias tentativas para que o deixassem em paz (não gostava da imprensa).
O gesto foi uma mescla de irritação e descontração; tempos mais tarde dissera a sua secretaria (e amante) Johanna Fantova a seguinte frase: “a língua de fora revela as minhas posições políticas.”
O fotografo Arthur Sasse foi quem capturou a imagem, e a divulgação da mesma foi feita pelo próprio Einstein, depois de solicitar que o mandassem algumas cópias. A fotografia definitivamente havia lhe agradado,vindo a enviá-la como postal para amigos e conhecidos.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Fatos não ocorridos que povoam a internet-Einstein e Deus

Observe a seguinte história:

Professor: Hoje, eu vou provar pra vocês que se Deus existe, ele é mal. Deus criou tudo que existe? (pausa)
Professor: Se Deus criou tudo... então ele criou o mal. O que significa que Deus é mal — um garotinho lá atrás levanta a mão —
Garoto: Com licença, Professor... o frio existe?
Professor: Que tipo de pergunta é essa? Claro que ele existe. Você nunca teve frio?
Garoto: Na verdade, senhor, o frio não existe. De acordo com as leis da física, o que nós consideramos frio é, na realidade, ausência de calor — o garoto continua — Professor, a escuridão existe?
Professor: Claro que existe.
Garoto: Você está errado, senhor. A escuridão também não existe. A escuridão, na realidade, é a ausência de luz. A luz, nós podemos estudar, mas não a escuridão. O mal não existe, é a mesma coisa da escuridão e do frio. Deus não criou o mal. O mal é resultado do que acontece quando o homem não tem o amor de Deus presente em seu coração — o garoto se senta —
Professor: Como é seu nome, garoto?
Garoto: Albert Einstein, senhor.

   Essa História é bem conhecida na internet,sendo passada atraves de corretes e tambem atraves de um video,mas será que esse fato realmente ocorreu? O Pensador Anônimo apresenta:"Fatos não ocorridos que povoam a internet".Estreiando com o famoso video "Deus Existe":


 

Agora veja a explicação desse video feita pelo ddimensoes:


"Religião nao deveria ter nada a ver com o medo da vida ou o medo da morte, nas sim com a busca pelo conhecimento racional.
A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis. Nenhuma Interpretação, por mais sutil que seja, pode (para mim) mudar isso.
Para mim, a religião judaica é, como todas as outras, uma coletânea de superstições infantis. E o povo judeu, ao qual eu pertenço e cuja metalidade eu tenho grande ligação, não possui para mim nenhuma qualidade que outros povos não tenham. Por minha experiência, eles não são melhores que outro grupo de pessoas, apesar de protegidos das piores doenças pela falta de poder. Por isso não vejo nada que os torne "Escolhidos".
É claro que é uma mentira o que você leu a respeito de minhas crenças religiosas, uma mentira que é repetida sistematicamente. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como nossa ciência é capaz de revelar.
Seu ressentimento com o Deus pessoal, que você assim como eu, acreditamos não existir, de certa forma me surpreendeu. Esta atitude encontra-se principalmente nas pessoas que libertaram-se sem luta dos restos da educação arcaica e patriarcal."
Albert Einstein
Carta ao filósofo Erich Gutkind, de janeiro de 1954
Tire suas proprias concluções. 


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Qual é o estado físico do fogo?

Certa vez me deparei com uma pergunta de um colega de classe, a qual se referia em qual estado físico esta o fogo. Diante dessa pergunta posto a resposta a todos aqueles que tinham essa duvida.


Nenhum. Como o fogo não é formado por matéria, ele não pode ser encaixado em nenhum estado físico. Apesar de vermos e sentirmos a chama, ela é só energia. O fogo pega na madeira, por exemplo, quando ela ultrapassa os 260 °C. Nessa temperatura, as moléculas da madeira se quebram em átomos, que se unem ao oxigênio do ar e formam moléculas de água.
O nascimento do H2O aparece para nós em forma de chamas. Isso porque a energia que cabe nas moléculas de água é menor que a liberada pela madeira. Então, o que sobra da reação vira luz e calor - ou melhor, fogo. Existe um certo folclore em relação ao suposto estado físico das chamas. Livros não-científicos já apontaram que o fogo pertence ao quarto estado da matéria, o plasma. Não é verdade. "Esse estado ocorre quando um gás se torna uma nuvem de núcleos atômicos e elétrons, separados uns dos outros", diz o químico Flávio Maron Vichi, da USP. Como essas partículas (núcleos e elétrons) sempre aparecem juntas em gases, sólidos e líquidos, o plasma é considerado um estado à parte. Em geral, ele ocorre em estrelas, a temperaturas de milhões de graus Celsius.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Um dragão em minha garagem

– Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.
Suponhamos (estou seguindo uma abordagem de terapia de grupo proposta pelo psicólogo Richard Franklin) que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!
– Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.
– Onde está o dragão? – você pergunta.
– Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.
Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão.
– Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar.
Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.
– Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.
Você quer borrifar o dragão com tinta para tomá-lo visível.
– Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir.
E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar.

Ora, qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que estou pedindo a você é tão-somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra.

A única coisa que você realmente descobriu com a minha insistência de que há um dragão na minha garagem é que algo estranho está se passando na minha mente. Você se perguntaria, já que nenhum teste físico se aplica, o que me fez acreditar nisso. A possibilidade de que foi sonho ou alucinação passaria certamente pela sua cabeça. Mas, nesse caso, por que eu levo a história tão a sério? Talvez eu precise de ajuda. Pelo menos, talvez eu tenha subestimado seriamente a falibilidade humana.

Apesar de nenhum dos testes ter funcionado, imagine que você queira ser escrupulosamente liberal. Você não rejeita de imediato a noção de que há um dragão que cospe fogo na minha garagem. Apenas deixa a idéia cozinhando em banho-maria. As evidências presentes são fortemente contrárias a ela, mas, se surgirem novos dados, você está pronto a examiná-los para ver se são convincentes. Decerto não é correto de minha parte ficar ofendido por não acreditarem em mim; ou criticá-lo por ser chato e sem imaginação – só porque você apresentou o veredicto escocês de “não comprovado”.

Imagine que as coisas tivessem acontecido de outra maneira. O dragão é invisível, certo, mas aparecem pegadas na farinha enquanto você observa. O seu detector infravermelho lê dados fora da escala. A tinta borrifada revela um espinhaço denteado oscilando à sua frente. Por mais cético que você pudesse ser a respeito da existência dos dragões – ainda mais dragões invisíveis –, teria de reconhecer que existe alguma coisa no ar, e que de forma preliminar ela é compatível com um dragão invisível que cospe fogo pelas ventas.
Agora outro roteiro: vamos supor que não seja apenas eu. Vamos supor que vários conhecidos seus, inclusive pessoas que você tem certeza de que não se conhecem, lhe dizem que há dragões nas suas garagens – mas, em todos os casos, a evidência é enlouquecedoramente impalpável. Todos nós admitimos nossa perturbação quando ficamos tomados por uma convicção tão estranha e tão mal sustentada pela evidência física. Nenhum de nós é lunático. Especulamos sobre o que isso significaria, caso dragões invisíveis estivessem realmente se escondendo nas garagens em todo o mundo, e nós, humanos, só agora estivéssemos percebendo. Eu gostaria que não fosse verdade, acredite. Mas talvez todos aqueles antigos mitos europeus e chineses sobre dragões não fossem mitos afinal…

Motivo de satisfação, algumas pegadas compatíveis com o tamanho de um dragão são agora noticiadas. Mas elas nunca surgem quando um cético está observando. Outra explicação se apresenta: sob exame cuidadoso, parece claro que podem ter sido simuladas. Outro crente nos dragões aparece com um dedo queimado e atribui a queimadura a uma rara manifestação física do sopro ardente do animal. Porém, mais uma vez, existem outras possibilidades. Sabemos que há várias maneiras de queimar os dedos além do sopro de dragões invisíveis. Essa “evidência” – por mais importante que seja para os defensores da existência do dragão – está longe de ser convincente. De novo, a única abordagem sensata é rejeitar em princípio a hipótese do dragão, manter-se receptivo a futuros dados físicos e perguntar-se qual poderia ser a razão para tantas pessoas aparentemente normais e sensatas partilharem a mesma delusão estranha.

A mágica requer cooperação tácita entre o público e o mágico um abandono do ceticismo, ou o que é às vezes descrito como a suspensão voluntária da descrença. Segue-se imediatamente que, para compreender a mágica, para expor o truque, devemos parar de colaborar.
                                                                     Carl Sagan